Memórias (in)existentes
Não sei se algum dia você pensou em mim como eu penso em você.
Mas eu sinto saudade.
Uma saudade quieta, dessas que aparecem do nada, quando o dia desacelera e a memória resolve falar mais alto.
Às vezes imagino que, se nos encontrássemos por acaso, mesmo em sonho, falaríamos sobre tudo o que fomos, sobre como começou, sobre o que nos fez tão próximos...
e, principalmente, sobre como nos separamos.
Eu sei que amamos um ao outro.
Há uma ausência em mim que não se explica direito,
como se algo tivesse ficado para trás
não um sentimento, mas um pedaço inteiro de quem eu era com você.
Em alguns fins de tarde, quando o céu muda de cor, eu fecho os olhos e quase sinto seu toque.
O vento bagunçando meu cabelo me lembra seus dedos.
Os arrepios inesperados parecem seus beijos.
E essa mistura estranha de paz com saudade...
parece sempre o eco de um "eu te amo" que nunca terminou de ir embora.
Confesso que essa falta me levou a lugares errados.
Pessoas rasas, tentativas apressadas, distrações que não duravam.
Mas, de algum jeito, eu sentia como se você soubesse.
Como se me olhasse em silêncio, esperando eu perceber que nada daquilo era o que eu procurava.
Às vezes me pergunto por que tenho tantas certezas sobre nós.
Por que consigo imaginar uma vida inteira ao seu lado:
uma casa simples, refeições feitas juntos, filhos correndo pela sala,
lírios sobre a mesa.
Era bom, bom o suficiente para que eu ainda te procurasse.
E eu te procuro.
Porque essa saudade não nasceu aqui.
Esse amor não começou neste tempo.
O que eu sinto é memória de outra existência,
um amor que atravessou vidas,
e que eu reconheci sem nunca ter aprendido.
E quando eu te encontrar de novo,
em qualquer tempo, em qualquer corpo,
eu vou saber.
Porque em outra vida,
eu já te amei.
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