Diário de dunie

Prioridades

Terça-feira, 01 de Outubro de 2019.

Prioridades Público
Minha rotina tem estado bem apertada com a monografia da faculdade e o meu trabalho como professora estagiária. Eu acordo o mais cedo que consigo, leio diversos textos complicados pra fazer o trabalho da faculdade, lavo roupa, lavo louça, faço comida, tudo no espaço de uma manhã. Como mora perto do trabalho, meu namorado/marido vem almoçar em casa, almoçamos juntos e vamos para o trabalho. Eu trabalho a tarde inteira até as 8 da noite, volto pra casa e não consigo pensar em mais nada a não ser descansar.
Admiro muito as pessoas que tem garra pra estudar depois do trabalho, que chegam em casa e conseguem fazer mil coisas. Gente que estuda até a madrugada e consegue levantar razoavelmente bem no dia seguinte. Eu ainda não sou capaz de fazer isso.
Decidi seguir minha vida no meu ritmo. Sempre me preocupei demais com prazos, querendo dar além do melhor de mim, mas obviamente isso afeta a saúde, é muito desgaste. Agora, eu faço o melhor que posso dentro das minhas condições. Aprendi muito com uma professora com quem trabalho. É claro que jamais serei tão radical quanto ela, que cumpre minimamente as obrigações pra por comida na mesa e pagar as contas. Acredito que a vida é mais do que isso. Eu escolhi ser professora porque amo ensinar, e embora eu esteja me controlando pra não fazer demais, é gostoso se dedicar e aproveitar o momento da aula.
Algo que tem me incomodado ultimamente é a fome. Eu tenho sentido muita fome, mas não tenho dinheiro o suficiente pra comer todas as vezes que eu quero. Eu almoço e janto, tomo café preto de manhã, levo pão pra lanchar à tarde, mas meu corpo me diz que isso não é o suficiente. Eu passo a manhã inteira num semi-jejum, almoço o que vem na quentinha do trabalho do meu namorado/marido, complementando com arroz e feijão feito em casa. Vem salada junto com a quentinha, mas quem come é a cadela que está idosa, porque já não tem muito dinheiro pra comprar ração, e a outra cadela que temos come muito. As quatro fatias de pão que como à tarde logo desaparecem do estômago. Às oito, quando saio do trabalho, sinto uma fome doída. Se tivesse dinheiro, compraria qualquer biscoito de um real pra aliviar a dor. Quando chego em casa, minhas opções são hambúrguer frito ou ovo, junto com o arroz e feijão do almoço. Há dias que eu não consigo comer na janta pelo simples motivo de que eu não aguento mais comer a mesma coisa toda noite. Às vezes durmo com fome, às vezes como pão. Meu corpo está abaixo do peso há um tempo, e sinto dores constantes. Não falta comida em casa porque não temos dinheiro pra isso, falta dinheiro porque minha sogra faz obras dentro de casa pra provar pra família do finado esposo dela que ela não morou nessa casa por todos esses anos sem pagar aluguel sem fazer nenhuma melhoria na casa. Muito provavelmente, essa casa vai ser vendida quando a mãe do falecido morrer. Ela não quer ficar mal na fita, e usa o dinheiro do filho somado ao dela pra fazer melhorias na casa. Eu sinceramente não vejo sentido nisso... Mas quem sou eu pra dizer alguma coisa? Não pago aluguel, a casa não é minha, sequer conheço a família externa, porque ninguém é próximo um do outro, todos tem mágoas e raiva entre si. Família esquisita.
Rezo a todas as forças do universo para que eu possa comprar minha própria casa e por as prioridades nos lugares certos.


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Comentários

Comentários (2)




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 rik
Quinta-feira, 03 de Outubro de 2019 às 15:59
Amém.

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Quarta-feira, 02 de Outubro de 2019 às 10:13
nao acelere algo que ultrapasse seus limites siga sua vda de acordo com seu ritmo

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