Anemoia: A saudade do que nunca vivi
Há uma forma de saudade que não nasce da lembrança, mas do vazio que a inexistência dela deixa. Uma saudade sem rosto, mas que aperta o peito como se algo nos tivesse sido tirado. Anemoia. Um nome estranho para um sentimento familiar. A nostalgia por um tempo que nunca nos pertenceu. Por vezes, acontece quando ouço uma música antiga, ou vejo uma foto em preto e branco. É uma nostalgia suave, quase tímida, como se algum pedaço meu tivesse sido esquecido nas horas daquele tempo tão distante. Eu não sei o som que possuíam aquelas manhãs, nem o gosto do café. Nunca pisei nas calçadas antigas nem esperei cartas que talvez demorassem semanas para chegar. Mas, ainda assim, há dias em que acordo com saudades, como se minha alma tivesse raízes em terras que meus pés nunca pisaram. Sinto vontade de ter pertencido àquele tempo, não por achar que era melhor, mas porque ele carrega um mistério que me toca de forma inexplicável. Às vezes penso que essa saudade vem do que minha alma gostaria de ter vivido. Já em outras, acho que é um reflexo do que o presente perdeu e tenta reencontrar nos ecos do passado. Todavia, mesmo que eu nunca tenha caminhado por aquelas ruas ou vivido aquelas histórias, sinto que um pedaço de mim ficou por lá, esperando que um dia eu o encontre.
Comentários (3)
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Quarta-feira, 07 de Janeiro de 2026 �s 13:48
Que coisa linda. Gostaria de ter lido isso antes do ano começar, porque depois está doendo mais
Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2025 �s 11:04
Talvez um eco de outra vida que o véu do esquecimento não cobriu.
Quarta-feira, 24 de Dezembro de 2025 �s 06:38
Amei! Essa saudade dói demais, e me dá vontade de ir pra um canto isolado, em cima de uma montanha de frente para o mar e ali ficar...