Diário de saintcharlie

Olá, queride. Rio, 6 de julho de 2026 - Tenho medo de sanduiches de presunto.

segunda-feira, 06 de julho de 2026.

Olá, queride. Rio, 6 de julho de 2026 - Tenho medo de sanduiches de presunto. Público
Oi meu amor,

Durante esses dias, eu estava explorando o site e achei um perfil de 2012 pedindo para a Gabriela Alves de Camargo voltar para ele, falando que não havia superado ela e que precisava fingir positividade, pelo amigo ter conquistado a Gabriela. Em suma, não sei quem ele era, também não sei como estão ele e a Gabriela Alves de Camargo, mas espero que estejam vivos e bem. De qualquer jeito, eu fico me perguntando, será que ele sabe, o garoto de 2012, agora adulto de 2026, que um bichinho escroto e imperfeito tem esse texto em suas mãos? Ou será pelo menos que ele se lembra de ter se declarado para a Gabriela Alves de Camargo em maio de 2012? Será que ele se lembra da Gabriela?

Fico com medo de que, daqui a 14 anos, um pseudointelectual de merda leia meus textos e faça um parágrafo inteiro falando de seja lá qual for a minha Gabriela Alves de Camargo. Sou bem ruim deixando as coisas para lá, então isso iria me consumir pelo resto da minha vida miserável. Sabe como é? Falando em não esquecer, sempre tive que lidar com pessoas idiotas, eu mesmo já fui bem idiotinha durante a minha vida. Mas eu geralmente pagava por minhas idiotices, me enxergava e melhorava. O triste dessas pessoas é que a gente tem que perdoar. Só isso, elas nunca vão genuinamente se arrepender e melhorar. O que pensa sobre isso?

Até então, estou gostando muito de escrever e ler o diário de outras pessoas, percebi que a maioria, se não todas as pessoas daqui, não estão muito bem da cabeça. Não sei se é porque são pessoas que buscam por um site de diário virtual ou se está todo mundo mal e esse aplicativo só expõe isso. Sobre mim, também estou bem mal. Não tento esconder isso, mas muitas pessoas acham que sim, por eu gostar de ver a parte leve e engraçada das coisas. Acho que, na verdade, essas pessoas que estão fingindo estar bem, tentando deixar essa tristeza mascarada de uma tristeza mais fácil de explicar, porque, eu não sei você, mas eu acho muito difícil explicar o que sinto. Não consigo resumir apenas para: "triste", "feliz", "irritada".

Hoje o dia foi bem chatinho, o sol estava forte, o céu muito bonito e meu cabelo bem feio. Algo que me incomoda, mas, por sorte, acho que está diminuindo, é que as pessoas me tratam como se fosse ingênuo e incompetente, como se eu não conseguisse interpretar um texto simples. Realmente sou bem ingênua, não entendo muito bem como as coisas funcionam, tenho medo de insetos e de pessoas (mesmo que goste de A Metamorfose).

Hoje li a resposta do meu amigo de correspondência, ele é muito divertido. Lê e responde minhas cartas direitinho. Ele mora no Japão, então é muito caro mandar cartas, mas sempre vale muito a pena. Infelizmente, estou muito cansada para respondê-lo, mas eu realmente gosto muito de conversar com ele. Você me entende? De qualquer maneira, me sinto ridiculamente sozinhe, parece que ninguém gosta de mim, até quando a pessoa fala: "Eu gosto de você" - Acho que ela me odeia e está planejando matar toda a minha família. Num sentido ruim.

Pra você entender, esses dias, quando ia pegar o BRT (Como se fosse o metrô aqui do Rio de Janeiro), uma moça me falou que sou muito bonito, nesse momento, só passava pela minha cabeça que ela me olhou, chorou e me achou tão, mas tão feio, que sentiu pena de mim: "Tadinho, nunca deve ter recebido um elogio na vida inteira. Nem a mãe deve ter segurado isso no nascimento... Coisinha desprezível, ínfima e insignificante.". Adoro os meus amigos, eles são as pessoas mais espertas e incríveis que eu já conheci, só que tenho muito medo de perdê-los, o que acaba fazendo com que eu mesmo me afaste deles. Não gosto disso, fico tentando descobrir se é comum pessoas fazerem isso. Por um lado, eu espero que não, porque é muito ruim, mas, sendo extremamente egoísta, queria que fosse, porque não quero ser mais estranha do que já sou. No final eu só tenho medo de ser esquecida e, ao mesmo tempo, tenho medo de ser lembrada da forma errada.

Estou escrevendo alguns roteiros e pretendo filmar um deles até o final de agosto. Ademais, me despeço de você e da Gabriela Alves de Camargo. Espero que ela tenha se livrado dos babacões.

Xodó,
Charlie.


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