Diário de winsmyn

Eu cansei de ser assim

quinta-feira, 30 de abril de 2026.
triste     

Eu cansei de ser assim Público
Hoje eu precisei parar.

Não foi um daqueles momentos bonitos de pausa consciente, com chá quente e silêncio acolhedor. Foi o tipo de parada que vem quando o peso fica insuportável, não só no corpo, mas principalmente dentro da cabeça.

Eu não me sinto bem há muito tempo. Meses, talvez anos. E, de algum jeito, as redes sociais foram se tornando um espelho distorcido onde eu nunca me reconheço. Lá, todo mundo parece já ter chegado: casadas, com filhos, negócios prósperos, corpos impecáveis, vidas perfeitamente organizadas aos 30 e poucos anos.

E eu aqui.

Parada.

Assistindo.

Comparando.

Me diminuindo.

É como se o mundo inteiro estivesse correndo numa velocidade absurda, e eu estivesse presa, afundando devagar. Isso dói mais do que eu consigo explicar. Vira ansiedade. Depois tristeza. Depois um cansaço emocional que parece não ter fim. E, no meio disso tudo, a comida vira refúgio, e também prisão.

A obesidade não é só sobre o corpo. Ela rouba coisas silenciosas: a vontade de sair, a coragem de se olhar no espelho, o prazer de se vestir bem, a leveza de existir. A procrastinação faz o resto, adia sonhos, paralisa planos, faz o tempo passar enquanto você continua exatamente no mesmo lugar.

Eu me perdi de mim.

E, pior, comecei a me odiar por isso.

Reclamava de tudo, o tempo todo. E, mesmo quando as pessoas tentavam me ajudar, parecia que ninguém realmente entendia o que estava acontecendo dentro de mim. Porque não é só falta de força de vontade. É mais profundo, mais confuso, mais solitário.

Mas hoje, algo mudou.

Não foi mágico. Não foi fácil. Não foi bonito.

Mas foi real.

Eu cansei de ser espectadora da minha própria vida.

Cansei de viver escondida dentro de casa por medo de julgamento. Cansei de vestir apenas o que dá, de me sentir desconfortável na minha própria pele, de achar que a vida está acontecendo só para os outros.

Porque a verdade é simples, e ao mesmo tempo dura:

A vida já está acontecendo.

Mesmo assim.

Mesmo agora.

E, apesar de tudo, ela ainda é bonita. Existe beleza em acordar, em respirar, em ter o que comer, em ter mais um dia. Existe uma chance escondida em cada manhã, a chance de fazer diferente.

E hoje, eu escolhi ver isso.

Não com uma gratidão vazia, mas com consciência. Eu sou grata pelo que tenho, mas não estou conformada. Porque eu sei que existe mais para mim. Eu sinto isso.

E, pela primeira vez em muito tempo, eu não estou esperando que algo externo mude.

Eu decidi mudar.

Sem drama. Sem promessa perfeita. Sem ilusão de que vai ser fácil.

Mas com verdade.

Eu deixo de ser vítima da minha própria história e começo, finalmente, a ser protagonista.

Amanhã, dia 01/05/2026, eu começo.

Não só uma jornada de emagrecimento, mas uma reconstrução completa. Do meu corpo, da minha mente, da minha vida financeira, do meu emocional e do meu espiritual.

Eu sei que não vai ser linear.

Sei que vão existir dias difíceis, dias de dúvida, dias em que desistir vai parecer muito mais confortável do que continuar.

Mas, dessa vez, eu não vou parar.

Não por disciplina perfeita.

Mas porque eu mereço ser feliz.

E porque, pela primeira vez, eu estou disposta a lutar por mim.

Talvez esse seja só mais um texto perdido na internet.

Ou talvez seja o começo de tudo.

E, se for, eu quero lembrar exatamente como tudo começou.

Então eu vou escrever.

Todos os dias.

Mesmo quando não for bonito.

Principalmente quando não for bonito.


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