Diário de lisemiep

E os planos?

segunda-feira, 29 de junho de 2026.
triste     

E os planos? Público
É inevitável, quando nos dispomos a amar alguém, elaborar inúmeros planos para o futuro.

Há tanta magia, tanto querer, lágrimas dóceis aos olhos. O coração pulsa com a mesma intensidade dos raios solares e, por um instante, tudo parece certo.

A frustração surge quando se percebe viver mais pelo o que se espera do que pelo que realmente se vive. Há um risco imenso em abandonar o presente para habitar o futuro, pois há morada no que poderia ser - e ausência no que hoje se é.

Amar você é como permanecer em um quarto escuro sem saber o que me espera. Abraços? Beijos? Brigas? Gritos? Paz? Tristeza? Felicidade? Tudo é indefinido, tudo é inconstante. É como oferecer tudo aquilo que me constitui em essência e apenas um pequeno átomo de mim ser acolhido.

Vivemos, por muito tempo, planejando como seria nossa relação, mas esquecemos de vivê-la enquanto ela acontecia. Reestruturar e reorganizar a bagunça, atentas às inseguranças e desafios; compreensivas de que somos, cada uma, um mundo singular; abraços às dores e beijos molhados em necessidades individuais; mãos entrelaçadas frente aos desafios dilacerantes da vida humana.

Era tão simples, mas acredito que estávamos tentando beber um copo de água vazio.

Agora, o que resta desse copo são apenas partículas de vidro molhadas por sangue. Há, por acaso, alguma possibilidade de reconstrução? Ou nos cortaremos?


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